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Doping no Desporto Maio 3, 2008

Posted by Admin in 5584.
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O doping e o desporto são dois termos antagónicos, ou seja, que nada têm em comum, ou supostamente não deviam ter… A prática do desporto deve ser um meio para melhorar a saúde do cidadão e para obter o domínio físico da pessoa por métodos naturais. Ora, o recurso a substâncias cuja finalidade consiste em aumentar, de maneira artificial, a performance, representa uma adulteração da prática desportiva, que deve ser repudiada e combatida.

Uma primeira explicação possível para a proliferação da utilização do doping encontra-se na aceitação, pelas sociedades ocidentais, de uma certa cultura da droga e da utilização de substâncias tóxicas como meio para melhorar as capacidades individuais em diferentes domínios. A nossa sociedade parece aceitar, de maneira implícita, a auto-estimulação mediante a utilização de substâncias e métodos artificiais, verificando-se um aumento da auto-medicação e o recurso a uma má utilização de medicamentos sem nenhum controlo médico.

Outra das explicações possíveis é a comercialização crescente do desporto, na chegada maciça de dinheiro e na necessidade de rentabilizar os investimentos enormes dos patrocinadores. A pressão exercida pelos grandes patrocinadores e promotores sobre os atletas e aqueles que os enquadram explica o recurso cada vez mais frequente aos métodos de doping. Os contratos cada vez mais exigentes das cadeias de televisão e dos promotores desportivos, as compensações económicas exageradas ligadas à obtenção de novos recordes do mundo levam os atletas a práticas contrárias à ética desportiva.

A utilização de drogas no desporto não é um fenómeno recente. Nos Jogos Olímpicos da Antiguidade, os atletas gregos usavam estricnina e cogumelos alucinogénios para se prepararem psicologicamente para as provas.

Em 1886, um ciclista francês morreu após ter ingerido uma mistura de cocaína e heroína. Talvez por ter decidido festejar a vitória antes de tempo, nas Olimpíadas de 1968 um atleta de pentatlo moderno foi desclassificado por ter um índice de alcoolemia demasiado elevado no sangue.

O duplamente desonesto Marti Vianio, corredor finlandês dos 10 000 metros, deixou de tomar esteróides uns meses antes de uma competição, mas mesmo assim foi apanhado num teste para detecção de drogas. Estupidamente, resolveu optar pelo doping, esquecendo que o sangue que lhe fora retirado uns meses antes continha vestígios das substâncias ingeridas na altura.

Em 1988, o canadiano Ben Johnson foi obrigado a devolver a sua medalha de ouro dos 100 metros quando um teste revelou que tomara esteróides anabolizantes antes da prova olímpica. De notar, que quando os atletas entregam amostras de urina para análise têm de o fazer debaixo do olhar vigilante dos comissários, para não haver hipótese de trocarem as amostras.

Alguns dos casos mais mediáticos de consumo de drogas por atletas de alta competição, são os casos do ciclista Bjarne Rijs, da atleta Marion Jones e do futebolista Abel Xavier:

O vencedor da volta a França em bicicleta, «Tour», de 1996, Bjarne Rijs, admitiu ter usado EPO durante o ano em que venceu a prova. «Sim, dopei-me, tomei EPO», indicou o dinamarquês, que em 1996 evitou o sexto título seguido do espanhol Miguel Indurain.

Segundo refere o Diário Digital, o ex-ciclista revelou que o consumo de substâncias proibidas começou em 1993 e terminou em 1998.

Marion Jones confessou ter-se dopado, de acordo com uma carta enviada pela atleta a familiares e amigos cujo conteúdo foi revelado pelo jornal norte-americano Washington Post. A velocista norte-americana que ganhou cinco medalhas nos Jogos Olímpicos de 2000 admite ter recorrido a substâncias ilegais desde 1999 a 2002, no período em que foi treinada por Trevor Graham.

A atleta norte-americana Marion Jones já devolveu as três medalhas de ouro e duas de bronze que ganhou nos Jogos Olímpicos de Sidnei’2000, de acordo com uma fonte da entidade norte-americana que rege o desporto olímpico (USOC).

Abel Xavier, ex-defesa do Middlesbrough, foi suspenso de todas as competições pela FIFA depois de ter acusado positivo num teste anti-doping, anunciou o clube inglês. O antigo internacional português foi submetido a um controlo anti-doping depois do jogo com os gregos do Xanthi, na Taça UEFA, a 29 de Setembro passado que acusou positivo. A substância não foi revelada, mas o antigo internacional Português foi suspenso por 18 meses.

De acordo com o CNAD, fórum detectados mais três casos de doping em 2007 do que em 2006 e, embora as amostras positivas por substâncias proibidas sejam ainda mais residuais (1,49 por cento), a “batota” atingiu mais cinco modalidades. Logo a seguir ao futebol – que engloba o futsal – e bilhar, ambos com seis casos, surgem o automobilismo, o basquetebol, o kickboxing e o tiro com armas de caça como modalidades com mais análises positivas em 2007, todas com quatro ocorrências.

As substâncias mais vezes detectadas continuam a ser os canabinóides (31,9 por cento), seguindo-se os diuréticos (“mascarantes” de outras substâncias, com 20,3 por cento). Relativamente à eritropoietina (EPO), que aumenta os índices de resistência ao esforço, o CNAD destaca 96 análises positivas por esta hormona humana produzida artificialmente, das quais 65 em ciclistas, 28 em praticantes de atletismo e três de triatlo.

Numa longa entrevista ao “Spiegel”, o ciclista Patrick Sinkewitz explicou como funciona o “negócio” das drogas e falou de como começou a dopar-se (em 2003 quando entrou para a Quick Step.)

“Quando te juntas a uma equipa como novo profissional encontras um sistema. Enquanto novo ciclista, os mais velhos ensinam-te como funciona o negócio. Tu és ambicioso, treinas duro, desenvolves-te profissionalmente e, a certo ponto, arranjas uma ajuda extra. As coisas melhoram, tens sucesso, ganhas reconhecimento e todos gostam de ti. É assim que o doping se torna normal.”

Sinkewitz explicou que, apesar de, em geral, os membros das equipas não falarem uns com os outros sobre doping, ele foi aprendendo “um pouco com toda a gente”, em especial colegas e médicos. “A EPO era o dopante de eleição. E depois havia outras coisas como cortisona e tetracosactida”, contou o corredor, explicando como fugia às análises antidoping, que já permitiam a detecção de EPO desde 2000: “Quando soube que uma dose [de EPO] era detectável durante cinco dias, deixei de usar o dopante seis dias antes das provas. Raramente naquela altura havia controlos surpresa nos treinos.”

“Todos afirmam ‘claro que somos contra o doping’, mas muitos não o dizem com sinceridade. Por exemplo, eu esperava estar na liderança da Paris-Nice deste ano, mas os espanhóis limparam tudo. Isto leva-nos a reflectir.”

- article by Adil Gulamali

Marion Jones a celebrar uma das suas "vitórias"

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Comentários»

1. eduardo paiva - Janeiro 11, 2011

ola sou eduardo e tenho alguns problemas nesse sentido :O

2. ana elisa cravid - Abril 5, 2011

o conteúdo da vossa página sobre doping é muito bom mas vale salientar que Marion Jones pediu desculpa eu público e foi a prisão depois de declarar que ingiriu anabolizantes.


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