Atletas correm maior risco de morte súbita Maio 3, 2008
Posted by Admin in 5584.trackback
Os atletas de alta competição têm um risco maior de morte súbita do que o resto da população do mesmo grupo etário. Muitas vezes, a actividade desportiva é excessiva por parte desses atletas, eles vão para além da sua capacidade física. O exagero e a sobrecarga dos esforços físicos e emocionais “desmascaram” perturbações que já existem no coração e daí pode ocorrer a morte súbita.
Os exames de rotina não detectam muitas dessas perturbações, habitualmente só são diagnosticadas com exames invasivos e mais pormenorizados, quando há a decisão médica de investigar os atletas. Existem também casos em que “os atletas, apesar de sentirem algumas alterações como palpitações, faltas de ar ou tonturas, não se queixam porque não as valorizam “ – admitem os especialistas
A morte súbita de um atleta tem um grande impacto na sociedade, pois, não é sempre que um desportista morre (infelizmente ainda morrem muitos, considerando o facto de que são “vistos” estes acontecimentos com maior frequência).
Os especialistas afirmam que “é maior o risco de morte súbita durante a realização de uma actividade desportiva intensa”. As patologias que mais frequentemente levam á morte súbita são as cardiovasculares. Dentro das doenças cardiovasculares há 2 que se destacam das mais: cardiomiopatia hipertrofica e as anomalias estruturais. A cardiomiopatia hipertrofica é herdada dos pais em cerca 50 % dos caos e segundo os especialistas “ pode manifestar-se desde o período pré-natal até cerca dos 30 anos”.
O que é a cardiomiopatia hipertrofica?
“O ventrículo esquerdo (aquele que bombeia o sangue para o corpo) apresenta-se hipertrofiado”. Essa hipertrofia pode reduzir o volume do coração e dificultar a saída do sangue. Num jogo de futebol ou de outra modalidade, a frequência cardíaca aumenta, tal como cresce a exigência de sangue para os músculos e para o cérebro.
Os especialistas explicam que ”num coração com cardiomiopatia hipertrofica, esta combinação de exigência aumentada e diminuição do efeito da bomba pode conduzir a um problema de falta de fornecimento de oxigénio ao musculo cardíaco anormal, o que leva frequentemente a uma alteração de ritmo cardíaco, geralmente fatal”.
Outra causa associada ás mortes inesperadas são as anomalias estruturais (“ ás vezes o coração e as artérias não se desenvolvem”- dizem os especialistas), a maioria delas estão presentes já desde o seu nascimento.
Os desportistas realizam exames com muita frequência e são analisados e estudados para obterem um bom rendimento em prole da equipa e da sua ascensão individual, e também para prevenir certas doenças. Sendo estes exames tão regulares aos atletas, como é possível que ainda morram muitos atletas?
O problema é que muitas das doenças não são detectáveis com um exame clínico (que é o caso das anomalias estruturais) – e os futebolistas profissionais são sujeitos a um acompanhamento médico que uma pessoa comum nem sonha ter.
Os especialistas afirmam que “ 99 % destes casos de anomalias estruturais não são detectáveis por uma simples auscultação clínica”. Por outro lado, acrescentam que “ 8 % dessas mortes não têm causas conhecidas”.
Recentemente vimos um jogador de futebol morrer em campo, António Puerta que era jogador do Sevilha. Puerta é um exemplo de morte súbita devido a anomalias estruturais. António Puerta poderia sofrer de uma doença cardíaca congénita, provavelmente uma displasia arritmogénica do ventrículo direito (desenvolvimento anormal de tecidos). No entanto, uma deficiência que “não dá a cara”, como costumam rotular-lhe os clínicos, pela dificuldade em diagnosticar o mal: os médicos do Sevilha, na última semana, submeteram Puerta a uma bateria intensiva de exames, depois do jogador ter desfalecido
duas vezes nos últimos tempos.
Já o jogador do Benfica Miklos Feher, de acordo com uma fonte hospitalar, terá sido vítima de uma paragem cardíaca, tendo outra fonte da mesma unidade confirmado a entrada do jogador nas urgências, recusando-se a referir se Feher terá já recuperado a consciência. De acordo com o boletim clínico, Fehér chegou aos serviços de urgência em paragem cardio-respiratória, às 21h45, tendo sido “de imediato efectuadas todas as manobras de emergência e medidas de socorro avançado”. Às 23h10, e depois das tentativas de reanimação falhadas, a equipa médica declarou o óbito do jogador.
- article by Bruno Silvestre

Comentários»
No comments yet — be the first.